Hoje vou postar um texto que a minha grande e melhor amiga fez e colocou no blog dela para mim.
Espero que vocês gostem, por que eu amei!!

por Cíntia Carvalho - A melhor jornalista do mundo!
A vida anda corrida, momentos de reflexão parecem cada vez mais difíceis. O ritmo dos passos denuncia uma pressa assustadora. Não há tempo para se dar ao luxo de simplesmente relembrar. Mas, a memória, ao contrario do corpo, não se sujeita ao exterior, ela cria seu tempo, impõe seu ritmo e, quando não obedecida, dá seu grito, atraindo não só as atenções, mas emoções e sentimentos.
Dia desses, atrasada para um compromisso, fui surpreendida por um desses clamores intrépidos da mente, não, minto, do coração. Ao passar por uma praça, ver de relance o verde forte das árvores me vi presa ao chão e com a lembrança me fazendo reviver um tempo saudoso.
Ao olhar para os bancos, naquele dia vazio, um novo cenário se formou. Duas jovens vestidas de uniforme cinza conversavam animadamente sobre o futuro. Uma era alta de pele branca, a outra bem mais baixa e morena. Fui conduzida para perto das duas e pude ouvir o assunto.
Faziam planos, relatavam sonhos. A jornalista e a geógrafa. A morena, um dia, entrevistaria a maior, por esta ter descoberto um método revolucionário de ensinar. Criariam seus filhos como amigos, seriam inseparáveis, mesmo sabendo que a vida tomaria rumos diferentes, suas escolhas as levariam a mundos diferentes, mas onde nada poderia interferir no carinho que sentiam uma pela outra.
Enquanto conversavam, alguém passou e, notado pelas duas, se tornou o assunto. Eram irreverentes, riam e cantavam como se não houvesse compromissos a serem honrados. O tempo corria numa lentidão quase perturbadora, eram jovens e, tirando os sonhos para o futuro, o mundo das duas estava ali, naquele momento tão banal e simplório.
Tive vontade de interferir e dizer que a vida nunca é como sonhamos, que por mais que seja lindo ser jovem é preciso responsabilidade. Que elas não poderiam desperdiçar momentos como aquele conversando como se a vida não tivesse um peso a ser carregado.
Porém, por mais que gritasse, minha voz não era suficientemente audível. Ao invés de tocá-las, fui tocada ao perceber que aquelas duas era eu e minha melhor amiga. Passado e presente se chocando em um aviso da vida. Não contive as lágrimas, quanto tempo havia se passado. A geógrafa encontrara seu caminho, a jornalista, no caso eu, ainda procurava caminhos para tornar o seu sonho possível.
Mas, mais que a dor da frustração senti a ausência da amizade que exalava nos olhos das estudantes de colegial. Agora tudo parece tão difícil, promessas de um dia retornarem a união. Quando o tempo parar... quando as obrigações diminuírem... quando e quando...
Um aviso de como o tempo é cruel. Mas avisos são para alertar, dizer que ainda há esperança. Neste caso o alerta me dizia: “Não espere amanhã para reconhecer que talvez o único momento que você terá é o hoje”.
Talvez amanhã, Vitória, nossas obrigações de estudante terão acabado, mas terá se passado nossa juventude e virão os filhos, marido e um dia a dia atordoado. Nossas desculpas serão outras, mas a distância terá se fortalecido e a dor, de ver aos poucos partir de nosso convívio quem amamos, atormentará nosso coração.
Mas, amiga, se este dia sombrio chegar encontrará uma alma que sempre gritará, como gritou neste dia, e lutará para não deixar morrer a chama da nossa amizade. Porque um dia você ganhou de tal forma o meu coração que ele se recusa a aceitar que o tempo nos afaste. Estou apegada a nossa lembrança de adolescentes colegiais, nela me escondo quando a realidade me apavora, quando o mundo quer me fazer acreditar no que sou, sou simplesmente a estrela do partido.
Isso é tão confuso, assumir que o tempo está passando e estamos perdendo a oportunidade de estarmos próximas, mas, ao mesmo tempo, dizer que ele não terá poder para isso, não é coerente. Assim me sinto, incoerente, confusa, porém certa que “existem amigos mais chegados que irmãos”, e quem consegue esquecer um irmão?
Sempre, sempre, terei no peito amizade enorme para te ofertar. Nunca se esqueça: talvez amanhã eu não tenha a oportunidade de dizer o quanto é especial para mim, apenas saiba que nada nem ninguém ocupará seu lugar na minha vida.http://momentospqn.blogspot.com/2009/10/para-voce-amiga.html#comments